biografia

Tive contato com a bateria desde que era criança, morando na região do Cambuci, em São Paulo. Meu padrinho Márcio Caixeta era um baterista atuante na noite paulistana e me propiciou este primeiro contato com o instrumento. Estimulado a fazer aulas de piano com minha tia Maria Alice, na mesma sala onde a bateria de Márcio ficava, eu rapidamente largava o piano e sentava à bateria, tentando acompanhar as músicas que minha tia tocava ao piano. Assim o amor pelos tambores foi sendo cultivado e logo na pré-adolescência convenci meus colegas a me deixar tocar caixa na fanfarra da torcida do Colégio Marista Nossa Senhora da Glória (já que eu não tinha a menor condição de atuar no time da escola, pois me faltava habilidade).

Eu “brincava” na bateria do Márcio algumas vezes (uma Pearl Fiberglass sem pele de resposta com quatro tons), e aos 14 anos montei minha primeira banda com colegas da escola. Na verdade,entrei para uma banda que já existia (a essa altura estudava no Colégio Arquidiocesano) no colégio, o The Mentes. Pouco depois comecei a fazer aulas com o baterista e percussionista Ricardo Marini, que na época cursava percussão erudita na USP (com o professor Carlos Tarcha) e fui desenvolvendo minhas habilidades. Comecei a melhorar minha leitura e minha técnica de mão, além de conhecer alguns grooves mais complexos. Sempre fui estimulado a fazer transcrições, e aos 15 anos já conseguia transcrever alguns trechos de músicas mais simples.

Nessa época eu não tinha bateria em casa, e praticava em uma bateria de estudos com pads de borracha. O tempo foi passando e com 17 anos já estava cursando a faculdade. Estudei propaganda e marketing na ESPM, mas sabia desde o início que não era bem isso o que queria para a minha vida. Estudei bateria com Neto Botelho, que me mostrou muita coisa de música brasileira e de rock. Em 1997, incentivado por Ricardo Marini (que já havia se tornado amigo) e por Neto, prestei exame para a EMM (Escola Municipal de Música) e passei. Estudei percussão erudita por quase dois anos com a professora Elisabeth Del Grande. Lá também fiz parte do Grupo de Percussão e da Big Band da EMM. Fui bolsista do Festival de Inverno de Campos do Jordão em 1998, onde toquei tanto no grupo de percussão erudita quanto na orquestra de bolsistas.

O ano de 1999 foi difícil. Aquela coisa… diploma na mão, hora de arrumar um emprego. E meio que por pressão das circunstâncias (e também da falta de opção em trabalhos musicais, pois infelizmente tive de largar a EMM para conseguir concluir a faculdade), comecei a trabalhar na área em que havia me formado. Em 2001recebi umconvite para integrar abanda The Maybees, ao lado de amigos que conheci na faculdade. Dividia o trabalho de baterista da banda com um estressante cargo de mídia on-line em uma agência de publicidade. Em 2002 a banda decidiu mudar seus rumos, e alteramos o nome para Ludov, com um conceito diferente dos Maybees, agora com letras em português e uma sonoridade mais abrasileirada. Gravei o primeiro single da banda, Trânsito, e logo depois o EP 2 a Rodar. Nessa época eu havia voltado a estudar bateria com o incrível Alaor Neves, com quem aprendi muita coisa diferente. Ele é uma referência da bateria brasileira. No fim de 2003, por não conseguir conciliar a agenda do Ludov com o trabalho na agência, tive de optar pelo que pagava as contas, e saí do grupo. Porém, a banda venceu o VMB da MTV na categoria de melhor clipe independente, com a música Princesa, ainda gravada por mim.

Dois anos se passaram, então com foco total no “mundo corporativo”, mas sempre estudando bateria nas horas vagas e realizando jams com amigos.Nesse períodocomecei a dar aulas para pessoas que me viram tocar em algum lugar e queriam aprender.

Em 2005 decidi que o mercado publicitário não estava mais me completando como pessoa, e larguei tudo. Meu amigo Neto Botelho me indicou para dar aulas na Academia de Música Granja Viana, e posteriormente na Escola Sons. Em 2006 ajudei a fundar a escola Musicamania em São Paulo, onde também tínhamos uma banda que fazia diversos tipos de eventos — de festas corporativas a barzinhos da noite. Comecei a dar aulas particulares também. Na época passei a colaborar com a revista Modern Drummer Brasil, onde permaneci até 2017, quando já executava a função de editor — também fiz testes de equipamentos, editei partituras e escrevi colunas de estudos e entrevistei muita gente bacana daqui e de fora (Neil Peart, Simon Phillips, Carlos Bala, Edu Ribeiro, Zé Eduardo Nazario, Serginho Herval, Dave Lombardo, só para citar alguns poucos nomes). 

O ano de 2007 foi bastante produtivo, quando entrei para a banda Cuelho de Alice, substituindo Neto Botelho, ao lado de Paulo de Carvalho (Velhas Virgens) e Fábio Brum (Made In Brazil). No mesmo ano conheci meu grande mestre Christiano Rocha, com quem fiz aulas até 2011. Com Christiano pude ter acesso a muita informação sobre música brasileira principalmente, além de desenvolver conceitos mais avançados na bateria. Nesse período tive diversas bandas (de baile, de covers) e alguns trabalhos como “sub”, por exemplo, para o Christiano na gig do Peninha.

Em 2013 tive a honra de ser convidado para acompanhar Christiano Rocha em sua turnê europeia sobre ritmos brasileiros, que passou por Suíça, Alemanha, Bélgica, Inglaterra, Espanha, Itália e Áustria. Nesse ano também lecionei por algum tempo no Bateras Beat Vila Mariana. Antes disso ainda tive o prazer de realizar mais trabalhos com Christiano Rocha, como uma apresentação no Sesc Piracicaba, uma gig com Faíska e Michel Leme num tributo a Ronnie James Dio e diversas performances na EM&T, como num show da cantora Adriana Godoy. Também tive a honra de tocar a música Novo Tempo, do Ivan Lins, no evento Vários Ritmos de um Mesmo Mundo, na frente de Paulinho “Briga” Vieira, que gravou a bateria original da música. Foi emocionante! Depois pude repetir a homenagem a ele em Ribeirão Preto, em um evento em que ele foi ovacionadopor diversos músicos.

Em toda a minha carreira já toquei e/ou gravei com Ludov, Cuelho de Alice, Carol Andrade, Peninha, Faíska, Maurício Gasperini, Michel Leme, Adriana Godoy, Cláudio Machado, Luciana Pires, Kel do Nascimento, Pedro Viáfora, Danny Calixto, Cowbell, Gil Duarte, Vivi Keller, Marcos Davi, Grupo de Percussão da Escola Municipal de Música de São Paulo, entre outros. Gravei trilhas sonoras para as emissoras de televisão Rede Globo, Record, SBT e Bandeirantes. Em 2009, no CD Só Vale Se Tocar, da revista Modern Drummer Brasil, participei com a faixa Funkadélia.

E vamos seguindo!

 

Vlad Rocha
São Paulo/SP - Vila Mariana

Vlad Rocha é baterista profissional há 20 anos. Já estudou com músicos renomados no cenário (os bateristas Alaor Neves, Christiano Rocha e a percussionista sinfônica Elizabeth Del Grande, entre outros) e já tocou/gravou com Ludov, Cuelho de Alice (projeto paralelo de Paulo de Carvalho das Velhas Virgens), Peninha, Faiska, Michel Leme, Adriana Godoy, Cláudio Machado, Luciana Pires, Danny Calixto, Gil Duarte, Vivi Keller, Marcos Davi, Grupo de Percussão da Escola Municipal de Música de São Paulo, entre outros. Gravou trilhas sonoras para as emissoras de televisão Rede Globo, Record, SBT e Bandeirantes. Foi bolsista do Festival de Inverno de Campos do Jordão em 1998, e em 2013 realizou uma turnê de workshops na Europa junto com o baterista Christiano Rocha. Foi editor, consultor técnico e colunista da revista Modern Drummer Brasil entre 2005 e 2017, onde efetuou testes de equipamentos, desenvolveu colunas de estudo voltadas a todos os níveis de experiência, realizou entrevistas com grandes nomes da bateria brasileira e mundial (Neil Peart, Simon Phillips, Carlos Bala, Edu Ribeiro, Zé Eduardo Nazario, Serginho Herval, Dave Lombardo entre muitos outros), entre outras funções. Já lecionou na Academia de Música Granja Viana, Escola Sons, Escola Musicamania e Bateras Beat Vila Mariana, além de dar aulas particulares em São Paulo.