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Editorial Modern Drummer Brasil – Maio 2016

By on 18 de maio de 2016

Olá! Este é meu editorial da MD Brasil de maio de 2016!
Espero que gostem!!

DISCIPLINA
Olá, leitor! O ano mal começou e já estamos no mês de maio. O tempo vai passando como um rolo compressor, pavimentando nossa história e deixando para trás tudo o que vivemos e construímos, mas que faz parte de nossa trajetória, e os caminhos pelos quais experimentamos deixar nossas pegadas nos ensinam como seguir adiante.
Venho pensando muito sobre o que nos faz evoluir em algo. Seja em uma atividade, em uma prática, em um ramo da ciência, da arte, da vida espiritual etc. Notei que durante minha caminhada nesta vida só obtive alguma melhora quando me disciplinei e pratiquei. Notei também que sempre tive uma disciplina meio “caótica”, pois nunca fui desses de ter um horário específico para cada coisa; nunca fui muito bom em gerenciar o tempo para dividir as atividades e cumprir cada horário bonitinho. Inclusive invejo quem consegue isso. Mas reparei também que mesmo dessa forma mais despojada de disciplina, o fato é que eu estava sempre lá, regularmente, praticando a atividade — mesmo que falhasse alguma vez. Apenas a título de esclarecimento, é bastante óbvio dizer que só fazemos algo pelo qual temos interesse. E só conseguimos desenvolver uma certa disciplina se esse interesse existir.

E como ter essa disciplina? A primeira coisa é ter em mente que é ela que nos levará a uma evolução. Não devemos nunca nos esquecer disso. Ter uma pontinha de consciência pesada quando deixamos de praticar já é um sinal de que estamos querendo ser mais disciplinados. Para otimizar o período que temos para estudar, devemos ter em mente o objetivo do atual momento do estudo. Claro que temos diversas coisas a desenvolver ao mesmo tempo, como técnica, leitura, estudo específico de algum ritmo/estilo, independência etc. Mas temos de focar e obter desse período o máximo de experiência de aprendizado que ele pode nos proporcionar. E que seja um momento de diversão também. Se você tem duas horas por dia para estudar, é muito legal passar essas duas horas tocando em cima de discos ou de faixas play-along. Ou solando as duas horas, não? Mas saiba dividir. Um pouco de estudo técnico, um pouco de leitura, prática com play-along, estudo de um método, transcrição de trechos, coordenação e (também muito importante!) a prática livre. E apenas o fato de você ESCUTAR música já é um estudo. Daí a importância de sempre ter a mente aberta às diferentes formas de manifestação musical mundial.

Ter disciplina é a melhor forma de manter nossa rotina mesmo em um dia em que não estejamos muito inspirados. Mesmo sem muita vontade, você SABE que precisa estar lá praticando. E acaba indo. Mesmo que esteja em um dia NÃO, você mantém aquele contato constante, que de repente até transforma o seu ânimo no dia. Apesar de a maior recompensa ser nossa evolução, você pode (assim como eu já fiz várias vezes) se prometer algumas recompensas para manter uma rotina constante. Pode ser algo diário, com uma recompensa menor (como se permitir comer um pedaço de chocolate, tomar uma taça de vinho, assistir a um filme no cinema etc.), ou algo em um período maior, uma recompensa semanal, por exemplo (se estudar direitinho a semana toda, no fim de semana você pode se prometer se deliciar naquele rodízio, ou sair para algum lugar, enfim). Se achar adequado, coloque também uma penalidade para o caso de não conseguir cumprir. Não precisa se autoinfligir chibatadas, mas tire algo de você mesmo. Não vou sugerir nenhuma penalidade. Fica a seu critério.

No fim, o caminho é: ter interesse por algo, o que nos leva a ter vontade de praticar essa atividade. Se a praticarmos de forma disciplinada, teremos uma evolução. Se a prática for mais aleatória e sem foco, provavelmente nos descobriremos andando em círculos. Boa leitura!
Vlad Rocha

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Vlad Rocha
São Paulo/SP - Vila Mariana

Vlad Rocha é baterista profissional há 20 anos. Já estudou com músicos renomados no cenário (os bateristas Alaor Neves, Christiano Rocha e a percussionista sinfônica Elizabeth Del Grande, entre outros) e já tocou/gravou com Ludov, Cuelho de Alice (projeto paralelo de Paulo de Carvalho das Velhas Virgens), Peninha, Faiska, Michel Leme, Adriana Godoy, Cláudio Machado, Luciana Pires, Danny Calixto, Gil Duarte, Vivi Keller, Marcos Davi, Grupo de Percussão da Escola Municipal de Música de São Paulo, entre outros. Gravou trilhas sonoras para as emissoras de televisão Rede Globo, Record, SBT e Bandeirantes. Foi bolsista do Festival de Inverno de Campos do Jordão em 1998, e em 2013 realizou uma turnê de workshops na Europa junto com o baterista Christiano Rocha. Foi editor, consultor técnico e colunista da revista Modern Drummer Brasil entre 2005 e 2017, onde efetuou testes de equipamentos, desenvolveu colunas de estudo voltadas a todos os níveis de experiência, realizou entrevistas com grandes nomes da bateria brasileira e mundial (Neil Peart, Simon Phillips, Carlos Bala, Edu Ribeiro, Zé Eduardo Nazario, Serginho Herval, Dave Lombardo entre muitos outros), entre outras funções. Já lecionou na Academia de Música Granja Viana, Escola Sons, Escola Musicamania e Bateras Beat Vila Mariana, além de dar aulas particulares em São Paulo.